Seja bem vindo

Este blog é um espaço para divulgação de contos vampirescos. Sinta-se a vontade para ler e deixar seus comentários. Envie-nos seu texto pelo formulário ao lado. Por hora, prove de nosso sangue. Mas avisamos: uma gota pode ser o caminho para a perdição.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Série Primeira - Vampiro, a saga

Esta é primeira parte da série Vampiro, a saga. Está história será contada através de contos curtos, postados semanalmente.



Vampiro, a saga - Parte I


Hoje parei pra pensar quantas mil histórias sobre vampiros circulam por aí. São tantas a se perder as contas. Parece que o assunto é de interesse geral – essa ânsia pelo sobrenatural, pelo desconhecido, não é uma novidade afinal. Peguei-me lendo algumas destas, mesmo que sem muito interesse, tentando captar alguma verdade – muito pouco se aproveita. De fato, acredito em vampiros. Não por ser fadado a acreditar, ou por estar perdendo a sanidade, mas sim pelo fato de que sou um – a verdade inevitável. Arregalou os olhos? Ou ainda pensou “aí vem mais um maluco”. Pouco me importa. Estou aqui apenas respondendo a um chamado insensato de meu ego. Estou somente preenchendo, com esta futilidade, o tempo que há muito deixei de perceber.
Veja bem. Quando se tem tanto tempo disponível, contá-lo realmente torna-se algo desagradável e inteiramente obsoleto. Nada bom pode surgir disso. A loucura viria inevitavelmente. Ainda assim é um aprendizado demorado e custa caro não tentar compreender.
Inicialmente você não passa de um menino conhecendo o mundo. Pela primeira vez por conta própria. Nesse período são muitos os erros, os esbarros e tropeços. Não há nada. Repito. Nada maior e mais maravilho do que experimentar a liberdade – mesmo que esta seja apenas uma máscara mundana para a intrínseca realidade. Aquela na qual se conhece a mentira por trás da prática de liberdade.
Enfim, um garoto. Um garoto experimentando o sexo pela primeira vez. Isso sim trás a tona uma boa comparação. Mas no caso dos vampiros esse êxtase se estende a toda experiência inicialmente vivida – e perde-se facilmente quando repetida. A não ser o gosto pelo sangue. Esse por mais que seja provado, nunca é o suficiente. Mesmo os mais velhos dentre nós não abandonam o hábito, ainda que pouco precisem. Ter o sangue em si, abrindo caminho pelo corpo amplamente receptivo. Jorrando da veia pulsante enquanto o uníssono de dois corações torna-se cada vez mais perceptível e atraente. Ou quando este vai-se indo – um misto de dor pela perda do momento, com o exacerbado efeito de se estar saciado. Sentir a vida de outrem se esvaindo aos poucos, num sopro nem curto, nem longo. Um palpitar maravilhoso. O puro poder e controle sobre o alimento. Tudo isso se soma para criar a atmosfera atraente na qual vivo.
Matar. Matar é meu real prazer. No inicio nada mais que uma necessidade, hoje uma fonte de prazer infinito. Nunca abandono uma vítima viva – desperdício. Há milhões no mundo e preciso de minha cota. Tenho minhas preferências, mas um cardápio variado é a chave do negócio. Não me contento com um assassino, ladrão ou qualquer outro errante. Não busco perdão, não acredito no divino. Sou o que sou e faço jus ao meu nome. Não poderia me esconder por trás de uma infinidade de sentimentos clichês – não preciso disso. Como disse, o segredo para viver a eternidade é fazer o necessário para manter-se vivo. Essa é uma das artimanhas que mantém sobriamente ativo há quase um século.
Um século não é muito. Claro que não vocês devem pensar. A diferença entre nós reside nos muitos séculos os quais ainda verei passar. Enquanto vocês todos já estarão mortos – muitos mortos por minhas mãos. Ou melhor, por minhas presas. Sendo assim faço uso de uma bela gargalhada no momento. Até fiz uma pequena pausa na narrativa para recuperar-me da insanidade deste pensamento. Tornar-me vampiro foi a melhor coisa que me poderia ter acontecido.
Hoje mesmo ao caçar a primeira refeição não me contive. O homem andava por aquelas ruelas com um sorriso estampado no rosto avermelhado e desbotado. Firme, cheio de equilíbrio e confiança, como se nada o pudesse atingir. Sabia o motivo da felicidade, já estava de olho nele há alguns dias, mas precisei esperar a hora certa para aproveitar ao máximo a caçada. O bolo de dinheiro que carregava consigo não fazia a menor diferença, tenho fortuna o suficiente por hora. Sua soberania infundada me corroeu e as gargalhadas brotaram instantaneamente. Quando me viu o homem petrificou. Aquela estátua macia e cheia de sangue deixou a confiança morrer antes dele.
Não tive pressa. Aproximei-me devagar, não por pudor, mas por pura diversão. Ele pensou em correr, mas já estava atraído demais para isso. Minha pele extremamente branca atiçou sua curiosidade e logo depois o pavor paralisante. Cheguei tão perto a ponto de transpassar-lhe se assim o quisesse com apenas um passo. Acariciei aquele cabelo macio, longo e tão negro quanto aquela noite sem estrelas. Deixei minhas mãos passearem pelo peito semi exposto, enquanto atirava meu corpo para mais perto do dele. Não ouve mais tempo, nem lugar, nem pensamentos. Beijei-lhe o pescoço cravando minhas presas em seguida. O sangue jorrou imediatamente me possuindo por completo. Cada fibra de meu corpo gritava escandalosamente em parceria com a ardente chama que me preenchia. Suguei sua vida em menos de um minuto.
Abandonei o corpo ali mesmo, sem precauções. Nos tempos atuais acreditar em vampiro seria como pedir entrada em um hospício. Não costumo curar os furos que criei. Apenas mordo e crio uma grande ferida, provavelmente como o seria num ataque por um cão ou qualquer coisa parecida. Não tenho desejo algum em esconder ou dilacerar o corpo – somente uma mascarada já é mais que suficiente.
Não tema. Rara é a chance de vocês se depararem comigo. Mas se acontecer não terão tempo sequer de lembrar o que leram aqui. Talvez me achem cruel depois dessa leitura. Ou mesmo impiedoso. Afirmo não me enquadrar em nenhuma das definições, vocês apenas não têm como entender um vampiro. Escreverei mais, porém não agora. Narrarei em breve algumas de minhas andanças mundo a fora. Se lhes interessar voltem. Isso de fato pouco me importará – continuarei vivendo.
Chamo-me Augusto T. e voltarei em breve.
Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. Uma nova estória se aproxima cheia de mistérios! Uma breve introdução pra nos deixar enlouquecidos! To morrendo de curiosidade!!!

    ResponderExcluir